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Marcelo Odebrecht e a investigação na chapa Dilma-Temer

por Diego Ramos

Marcelo Odebrecht presta depoimento na ação que investiga a chapa Dilma-Temer

Preso desde 2015 pela Operação Lava Jato, o empreiteiro Marcelo Odebrecht depôs ao TSE na ação movida pelo PSDB contra a chapa Dilma-Temer, vencedora da eleição presidencial de 2014.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) começou a ouvir, na quarta-feira, dia 1º de março, os depoimentos de diversos executivos da Odebrecht que fizeram acordo de delação premiada. Trata-se da ação que investiga se foi cometido abuso de poder econômico e político por parte da chapa Dilma-Temer, vencedora das eleições presidenciais de 2014.

Caso o tribunal consiga provas de que essas irregularidades realmente ocorreram, Dilma Rousseff e Michel Temer poderão ser punidos. No caso da ex-presidente, com a perda da sua elegibilidade. Já Temer, atual presidente, além de ter o mandato cassado, poderá ficar inelegível também.

Um dos depoimentos mais aguardados da quarta-feira era o do ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht. Quem ouviu o empresário foi o ministro-corregedor do TSE, Herman Benjamin. A audiência, que começou às 14h30, durou cerca de quatro horas. Concluído o depoimento, Luciano Feldens, advogado do empreiteiro, disse que seu cliente “falou tudo o que deveria e o que poderia falar”. Além disso, o defensor destacou que o executivo tinha concluído o seu depoimento. Desse modo, é pouco provável que Odebrecht volte a depor nesse processo.

Além de Herman Benjamin, Marcelo Odebrecht e o advogado do empresário, também participaram da audiência os defensores dos dois políticos envolvidos no processo, o advogado do PSDB, partido que é o autor da ação, e integrantes do Ministério Público Eleitoral.

Os advogados de Dilma Rousseff e do PSDB não conversaram com a imprensa após a audiência. Por sua vez, Gustavo Guedes, que defende o presidente Michel Temer na ação, disse que a fala de Marcelo Odebrecht não revelou novas informações além daquelas que o empreiteiro já havia dado em seus depoimentos referentes à Operação Lava Jato. O advogado revelou ainda que o depoente respondeu a todos os questionamentos feitos durante a audiência, o que é exigido pelo acordo de delação premiada feito pelo empresário.

Em seu depoimento ao ministro-corregedor do TSE, que aconteceu no TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná), Marcelo Odebrecht falou sobre o suposto uso de quantias pagas como propina pela empresa da qual ele já foi presidente na forma de caixa dois pela campanha da chapa Dilma-Temer durante a disputa pela Presidência da República em 2014. As irregularidades teriam sido cometidas envolvendo contratos que a Odebrecht tinha com a Petrobras.

Em relação a isso, segundo o que disse Cláudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Internacionais da empreiteira, em um depoimento oriundo de um acordo de delação premiada, o presidente Michel Temer, ainda em 2014, teria feito uma negociação pessoalmente onde solicitou o recebimento de 10 milhões de reais pelo PMDB.

Contudo, ainda não é possível saber o que Marcelo Odebrecht disse ao ministro Herman Benjamin a respeito desse fato. Isso porque, devido a uma determinação de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, o conteúdo do depoimento do empresário ao TSE é sigiloso. A quebra da confidencialidade da fala do executivo depende do STF (Supremo Tribunal Federal), que deverá decidir nas próximas semanas se o teor dos 77 acordos de delação premiada feitos por executivos da Odebrecht permanecerá em segredo ou não.

Após concluir o seu depoimento, Marcelo Odebrecht voltou para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. O empreiteiro está preso desde junho de 2015 em decorrência dos desdobramentos da Operação Lava Jato.



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